Pular para o conteúdo
Especial Alphaville 53 anos

Alphaville, 53 anos de uma história que continua em movimento

O projeto de Takaoka e Albuquerque, a chegada da HP e a proximidade com a Castello Branco ajudaram a transformar uma área pouco ocupada em uma das principais centralidades de negócios, moradia e serviços da região

Glaucia Arboleya

Glaucia Arboleya

Publicado em 25/09/2026 · atualizado há 5 horas · 9 min de leitura

Alphaville, 53 anos de uma história que continua em movimento
Com os anos, Alphaville deixou de ser apenas um endereço residencial planejado e passou a funcionar como uma centralidade urbana e econômica — Foto: Felipe Barros

Há 53 anos, Alphaville era uma aposta. Uma grande área de terras, ainda distante da dinâmica da capital, começava a ganhar um novo desenho pelas mãos dos engenheiros Yojiro Takaoka e Renato Albuquerque. A proposta era ousada para a época: criar uma nova centralidade, planejada, com espaços para empresas e, posteriormente, para moradia, em uma região que ainda estava em processo de urbanização. A localização foi fundamental.

A proximidade com a Rodovia Castello Branco, inaugurada poucos anos antes, colocava o empreendimento em uma posição estratégica entre São Paulo e o interior. A nova estrada reduzia distâncias e criava uma conexão que seria decisiva para o desenvolvimento de Alphaville. O projeto começou com uma vocação empresarial. Mas foi justamente a chegada de uma empresa que ajudaria a mudar esse destino.

HP: A EMPRESA QUE AJUDOU A REDESENHAR ALPHAVILLE

A Hewlett-Packard (HP) foi uma das primeiras — e é apontada em registros históriO projeto de Takaoka e Albuquerque, a chegada da HP e a proximidade com a Castello Branco ajudaram a transformar uma área pouco ocupada em uma das principais centralidades de negócios, moradia e serviços da região cos como a primeira — empresa a se instalar em Alphaville.

A chegada da multinacional teve um efeito que ultrapassou a simples ocupação de um espaço corporativo. A empresa precisava estar próxima de São Paulo, mas também buscava uma estrutura adequada para seus executivos e funcionários. A demanda por moradia próxima ao trabalho ajudou a impulsionar uma mudança importante na concepção do empreendimento.

Alphaville passou, então, a reunir duas vocações: a empresarial e a residencial. Em 1975, surgiu o Alphaville Residencial 1, dando início a uma expansão que transformaria definitivamente a região. O conceito de morar próximo ao trabalho, associado à infraestrutura planejada e ao acesso facilitado pela Castello Branco, tornou-se uma das marcas do projeto.

A partir daí, novas empresas chegaram, novas famílias ocuparam os residenciais e uma estrutura de comércio e serviços começou a se formar. Alphaville deixava de ser apenas um empreendimento para se transformar em uma comunidade.

QUEM VIU ALPHAVILLE NASCER

Entre as pessoas que acompanharam essa transformação está Aparecida Rivetti, a Cidinha, educadora e pioneira em Alphaville. Ela chegou ao bairro em 1979, quando os Residenciais 1 e 2 ainda começavam a ser ocupados. Naquele período, a paisagem era muito diferente. Havia poucas famílias, pouco movimento e praticamente nenhuma das estruturas que hoje fazem parte da rotina da região.

“Eu tenho muita história porque estou aqui desde 79. O bairro estava começando. Quando eu vim para cá, naquele momento, era a realização de um sonho de ter um espaço para os meus filhos. Como eu cresci no interior, eu tinha quintal, eu queria um quintal também para os meus filhos, com árvore, com tudo isso. E o entorno todo também ofereceu todas as possibilidades para eles”, lembra Cidinha.

Foi nessa época que ela conheceu pessoalmente Yojiro Takaoka, um dos idealizadores de Alphaville. No estande de vendas, Takaoka ainda acompanhava de perto a comercialização dos terrenos. Foi ele quem apresentou o empreendimento a Cidinha e ao marido e vendeu a área onde o casal construiu a casa em que ela vive até hoje. A memória de Cidinha ajuda a dimensionar a transformação ocorrida desde então. Quando chegou, Alphaville ainda era um projeto em formação. As distâncias pareciam maiores, a infraestrutura era limitada e a ocupação acontecia aos poucos.

Hoje, a região reúne milhares de moradores, empresas, lojas, escolas, restaurantes e serviços. Para quem viveu os primeiros anos, a mudança não está apenas nos prédios e nas ruas, mas na própria dinâmica do bairro.

DE UMA ESTRADA A UMA NOVA CENTRALIDADE

A Castello Branco permaneceu como um dos principais eixos dessa expansão. A rodovia facilitou o acesso à capital e ao interior e ajudou a transformar a localização de Alphaville em uma vantagem estratégica para empresas e moradores.

Com o passar dos anos, o bairro ultrapassou os limites de seu projeto original e passou a exercer influência sobre uma área muito maior, especialmente em Barueri e Santana de Parnaíba. Hoje, a dimensão dessa transformação pode ser medida pelos números.

O TAMANHO DOS NEGÓCIOS

Segundo dados mais recentes da AREA Alphaville, o Centro Empresarial reúne 44 prédios comerciais e de escritórios, com 1.517.792,59m2 de área construída. São 6.683 salas de escritório e 630 lojas. No segmento residencial, são 57 prédios, que somam 1.200.409,67m2 de área construída e abrigam 7.295 apartamentos. São 2.602 unidades de um dormitório, 885 de dois, 2.558 de três, 1.123 de quatro e 127 de cinco dormitórios. Apenas nos apartamentos, vivem cerca de 17 mil pessoas.

Mas o movimento de Alphaville vai muito além de seus moradores. Estimativas apontam uma população fixa superior a 65 mil habitantes, enquanto o público flutuante chega a aproximadamente 180 mil pessoas por dia, entre trabalhadores, visitantes e consumidores. É uma população que chega, circula, trabalha, consome e retorna diariamente, reforçando o papel de Alphaville como uma centralidade regional.

DE GRANDES EMPRESAS A NOVOS NEGÓCIOS

A vocação empresarial que marcou os primeiros anos também se transformou. O perfil corporativo tornou-se mais diversificado e passou a reunir tecnologia, serviços financeiros, varejo, alimentação, logística e infraestrutura digital.

De acordo com a Prefeitura de Barueri, Alphaville e Tamboré concentram grandes empresas como Azul, Cielo, Livelo, C&A, Alelo e Scala Data Centers. Ao mesmo tempo, novas marcas continuam escolhendo a região para instalar operações ou ampliar sua presença. Entre elas estão Olive Garden, Flakes, Jangada e Lexus, além de muitas outras, que não param de chegar.

Essa diversidade mostra que Alphaville não ficou preso ao modelo empresarial que marcou sua origem. A região passou a abrigar diferentes perfis de negócios e a oferecer uma estrutura cada vez mais completa para quem vive e trabalha ali.

O MERCADO IMOBILIÁRIO ACOMPANHA A TRANSFORMAÇÃO

A força econômica também se reflete no mercado imobiliário. Mesmo depois de cinco décadas de desenvolvimento, Alphaville continua atraindo incorporadoras, novos projetos e investimentos.

A combinação entre condomínios de alto padrão, infraestrutura, serviços, proximidade com São Paulo e qualidade de vida ajudou a colocar Barueri e Santana de Parnaíba entre os mercados imobiliários mais valorizados do país.

Em Barueri, dados do Índice FipeZAP apontaram aluguel residencial médio de R$ 72 por metro quadrado em julho de 2026. No mercado de venda, o valor médio chegou a R$ 12.138 por metro quadrado em junho, acima dos R$ 12.055 registrados em São Paulo no mesmo período. O custo dos condomínios também acompanha esse perfil. Segundo levantamento da Loft, Santana de Parnaíba registrou valor médio de R$ 986 mensais em 2026, enquanto Barueri chegou a R$ 791, alta de 29,8% em relação ao ano anterior.

O SEGREDO ESTÁ NA CAPACIDADE DE SE REINVENTAR

Para Milton Meyer, presidente da MPD Engenharia, a evolução de Alphaville acompanhou a transformação de seu próprio mercado.

“A região de Alphaville passou por uma grande transformação em suas mais de cinco décadas. Nesses nossos mais de 40 anos de atuação, acompanhamos de perto as mudanças do bairro, que nasceu com uma vocação predominantemente residencial horizontal e empresarial, e que se consolidou como uma centralidade urbana completa, autossuficiente e de alto padrão”, afirma.

Felipe Chukr, CEO da Arqos, vê na capacidade de adaptação uma das principais características que mantêm a região relevante. “A principal força de Alphaville está na capacidade de se reinventar sem perder os atributos que construíram sua identidade. A região conseguiu desenvolver uma infraestrutura própria, reunir moradia, empresas, comércio, serviços, educação, lazer e áreas verdes e, ao mesmo tempo, manter uma percepção de qualidade de vida.”

Essa capacidade de transformação talvez seja a melhor maneira de explicar os 53 anos de Alphaville. O projeto imaginado por Takaoka e Albuquerque ganhou impulso com uma estrada que aproximou a região de São Paulo e encontrou na chegada da HP um dos primeiros sinais de que ali poderia nascer algo maior do que um centro empresarial.

Vieram os residenciais, as empresas, as escolas, o comércio, os restaurantes, os serviços e uma comunidade inteira. E vieram também pessoas como Cidinha, que chegaram quando quase tudo ainda estava por acontecer e hoje carregam na memória a imagem de um Alphaville muito diferente daquele que existe atualmente.

Aos 53 anos, Alphaville é resultado dessa soma: um projeto pioneiro, uma localização estratégica, empresas que ajudaram a impulsionar seu crescimento e gerações de moradores que transformaram o lugar em uma comunidade. Mais de cinco décadas depois, a história continua em movimento.

Acompanhe o assunto na próxima edição. Vamos trazer mais histórias e pessoas sobre Alphaville, além de mostrar ainda o crescimento da marca em todo o Brasil!

Glaucia Arboleya

Colunista

Glaucia Arboleya

Newsletter da efe

Alphaville na sua caixa de entrada

Negócios, network e lifestyle da região — uma seleção da redação, toda semana.