Para Ana Paula Altman, CEO da Maxipark, “liderar é fazer alianças”
Com mais de 25 anos de carreira no Brasil e no exterior, executiva aposta em pessoas, diversidade e relações para conduzir uma nova fase da companhia
Por Aliz Lambiazzi
Ana Paula Ribas D’Ávila Altman construiu uma carreira que atravessa diferentes mercados, países e culturas, mas mantém um fio condutor: a crença de que negócios são, antes de tudo, feitos por pessoas. Em mais de 25 anos de trajetória, passou pelo mercado imobiliário, hotelaria, mobilidade urbana e facilities (gestão de serviços e infraestrutura), com experiências em empresas como Cyrela, Lindenberg, Hilton, Estapar e Temon.
Parte dessa trajetória foi construída fora do Brasil. Ana Paula viveu durante quatro anos na Europa e trabalhou na rede de hotéis Hilton, em Londres e Barcelona. Formada em Marketing pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, também estudou Comportamento do Consumidor na Westminster Kingsway College, em Londres, e mais tarde buscou formação em Liderança Feminina pela StartSe University e pela Nova SBE, de Portugal.
A defesa de ambientes corporativos mais diversos também ultrapassou os limites de sua atuação executiva. Ana Paula é cofundadora do Grupo Mulheres em Facilities e Corporate Real Estate, iniciativa dedicada ao fortalecimento e à representatividade feminina em setores ainda marcados pela predominância masculina. Em sua visão de gestão, crescimento, tecnologia e eficiência caminham ao lado de relações humanas, desenvolvimento de pessoas e acolhimento.
Hoje, ela está à frente da Maxipark, empresa brasileira fundada em 1988 e especializada na gestão de estacionamentos, com operações em hospitais, empreendimentos corporativos, shoppings e outros segmentos. De origem familiar, a companhia iniciou um processo de profissionalização da gestão, mantendo a família fundadora ligada à governança e trazendo executivos de mercado para a condução dos negócios. É nesse movimento que Ana Paula assume como CEO desde 2025, com a missão de liderar uma nova etapa de expansão e transformação da empresa.
À Efe, Ana Paula fala sobre os desafios de formar líderes, preservar a cultura de uma empresa em crescimento e ampliar o espaço das mulheres no mundo corporativo. E defende uma liderança que, mesmo em tempos de automação e mudanças aceleradas, não perca de vista o essencial: as pessoas.
Efe. Você chegou à Maxipark como executiva de mercado para liderar uma empresa familiar, que optou pela profissionalização da gestão. Como foi assumir esse papel e construir uma relação de confiança com os fundadores e a família?
Ana Paula A nossa relação começou alguns anos antes, com um convite para um almoço e uma proposta de emprego que naquele momento não fazia sentido para o momento profissional que eu estava vivendo, mas ali nasceu uma relação de admiração e respeito que foi sendo alimentada nos anos seguintes e acabou num novo convite para assumir a presidência da Maxipark, que aceitei com muita alegria.
Efe. Você defende que é preciso estruturar lideranças antes de acelerar o crescimento. Na prática, o que significa preparar uma empresa para crescer a partir das pessoas?
Ana Paula Precisamos estar com as pessoas certas no lugar certo. Isso parece clichê, mas quando falamos em crescer e reestruturar, a equipe realmente precisa vir junto, entender que é um momento de tração e entrega, e é nessa hora que entendemos quem está pronto para o novo momento, quem está disposto ao desenvolvimento e quem quer seguir do jeito que está. Focamos nos dois primeiros grupos, que já têm a cultura da empresa e a vontade de crescer.
Efe. Sua carreira passa por setores e ambientes bastante diferentes, da construção civil e hotelaria ao mercado de estacionamentos e facilities. Qual foi o principal aprendizado sobre liderança que você acumulou nessa trajetória?
Ana Paula Que é preciso fazer alianças. No sentido mais amplo da palavra, desde um bom relacionamento com pares, concorrentes, fornecedores e outros profissionais que de alguma maneira permeiam seu setor ou seu trabalho, até — e principalmente — com os profissionais que estão perto de você todos os dias. Peça feedback e aconselhamento não só ao seu chefe, mas também aos outros líderes que estão por perto de você. Esse momento com os demais gestores faz toda a diferença na sua percepção de carreira.
Efe. Como a Maxipark identifica pessoas com potencial de liderança e as prepara para assumir novas responsabilidades? O que pesa mais nesse processo: resultado, comportamento ou capacidade de mobilizar pessoas?
Ana Paula Na Maxipark, essas três bases são essenciais para um líder. Buscamos entender a atitude de cada profissional e a disposição de aprender e assumir responsabilidades. Com essas características identificadas, desenhamos os próximos passos e desafios. No final, a entrega e o desenvolvimento dependem mais da pessoa, e de ela deixar claro o caminho que quer seguir.
Efe. A Maxipark tem uma operação descentralizada, com equipes trabalhando em diferentes empreendimentos. Como fazer com que um funcionário que está longe da sede reconheça e reproduza a cultura da empresa no dia a dia?
Ana Paula Muita comunicação interna e aprendizado pelo exemplo. Sempre buscamos fazer com que as atitudes de nossos líderes reflitam a cultura da empresa e sirvam de espelho aos demais. Dessa forma, criamos uma cultura em cadeia, forte e estruturada.
Efe. Nesse modelo de operação, quanto de autonomia um líder deve ter? Como encontrar o equilíbrio entre liberdade para tomar decisões e a manutenção de um padrão de atendimento e gestão?
Ana Paula De novo, volto ao exemplo do aprendizado pelo modelo. Quando somos consistentes na mensagem e na atitude, nosso líder sabe que está livre para tomar a decisão correta e dentro dos padrões esperados pela empresa.
Efe. Você é cofundadora do Grupo Mulheres em Facilities e Corporate Real Estate e tem uma atuação voltada à ampliação do espaço feminino nesses setores. Quais barreiras à chegada das mulheres aos cargos de liderança você ainda enxerga e quais delas são menos visíveis para quem já está no topo?
Ana Paula O machismo estrutural ainda é um problema e, muitas vezes, não é percebido nem mesmo pelas mulheres, que acabam caindo nessa "rotina" sem perceber. No grupo, reforçamos bastante a necessidade de as mulheres aprenderem a se posicionar e dizerem o que querem de seus empregadores e onde querem chegar. Desenhem seus planos de carreira e acreditem neles.
Efe. Ao longo da sua trajetória, houve momentos em que você percebeu que precisaria romper uma barreira ou tomar uma decisão que talvez fosse diferente daquelas enfrentadas por um homem na mesma posição? Como essas experiências influenciaram a líder que você se tornou?
Ana Paula Por diversas vezes, e aprendi a entender que isso não é ruim — muito pelo contrário: homens e mulheres enxergam e resolvem problemas de maneiras diferentes, e essa é a graça e a oportunidade que a diversidade nos traz. Temos que usar isso a nosso favor.
Efe. Em um setor que passa por forte automação, como a tecnologia muda o papel das lideranças? E como evitar que eficiência e digitalização afastem justamente o componente humano que você coloca no centro da gestão?
Ana Paula Cada vez mais nossos líderes têm que pensar fora da caixa. A tecnologia está aí para ser usada, e a inovação bate à nossa porta todos os dias. O pulo do gato é enxergar antes o que já estava na nossa cara, mas sem esquecer, em momento algum, do bem receber e de se sentir bem-vindo em qualquer ambiente. Somos a porta de entrada e saída de muitas pessoas em um empreendimento ou hospital, e queremos que esse cliente tenha uma boa experiência do início ao fim.
Efe. Depois de mais de 25 anos de carreira e hoje ocupando a posição de CEO, o que você percebe que ainda precisa aprender ou desenvolver na sua própria forma de liderar?
Ana Paula O aprendizado é contínuo, o mundo segue em transformação e adaptar-se a essas mudanças é ponto essencial para um líder que quer se manter ativo e produtivo. Procuro participar o quanto posso de rodas de conversa, de congressos, e sigo estudando todos os dias. Manter-se atualizado nos mantém vivos!
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Glaucia ArboleyaNewsletter da efe
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