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Galpões

A corrida pelo metro quadrado

Impulsionado pelo avanço do e-commerce, o mercado de galpões logísticos vive um boom. Com vacância próxima de zero, Barueri se consolida como um dos polos mais estratégicos do país

Publicado em 31/08/2026 · atualizado há 2 semanas · 3 min de leitura

A corrida pelo metro quadrado
Os galpões logísticos deixaram de ser simples depósitos para se tornarem ativos estratégicos — Foto: Divulgação/Site CBRE

Eles são discretos por fora, mas movimentam bilhões de reais e ditam o ritmo do comércio moderno. Os galpões logísticos deixaram de ser simples depósitos para se tornarem ativos estratégicos na disputa pela eficiência. Em um cenário em que o consumidor espera receber uma compra em poucas horas, estar mais perto dos grandes centros urbanos passou a valer tanto quanto o próprio produto.

É nesse contexto que Barueri e o eixo oeste da Grande São Paulo ganharam protagonismo. Ao lado de Cajamar, Santana de Parnaíba, Itapevi e Jandira, a cidade integra um dos corredores logísticos mais importantes do Brasil, favorecido pela conexão com as rodovias Castello Branco, Anhanguera, Bandeirantes e Rodoanel.

A demanda aquecida fez a oferta encolher. Levantamento da plataforma de inteligência imobiliária SiiLA mostra que Barueri registra apenas 0,57% de vacância em seus condomínios logísticos, a menor taxa entre os principais polos paulistas. Em Guarulhos, o índice é de 1,21%, enquanto a média nacional chega a 4,43%.

Na prática, encontrar um galpão disponível em regiões estratégicas tornou-se um desafio. O aquecimento do mercado também impulsionou os preços: em Barueri, o aluguel médio gira em torno de R$ 27 por metro quadrado, embora empreendimentos de padrão mais elevado alcancem valores superiores.

Varejo e e-commerce abocanhando quase tudo

Por trás dessa corrida estão alguns dos maiores nomes do varejo e do e-commerce. Segundo levantamento da Newmark Brasil, divulgado pela Exame, o Mercado Livre liderou as locações de galpões no primeiro semestre de 2026, com 109 mil metros quadrados contratados, seguido pela Amazon, com 82 mil m².

Já dados da SiiLA mostram que, considerando a ocupação total, o Mercado Livre também permanece na liderança nacional, à frente de Shopee, Amazon e Shein. A busca dessas empresas por operações mais eficientes e entregas cada vez mais rápidas consolidou Barueri e o eixo oeste da Grande São Paulo como um dos principais hubs logísticos do país.

Ainda segundo a Newmark, a absorção bruta de condomínios logísticos ultrapassou 2,05 milhões de metros quadrados apenas no primeiro semestre deste ano, sem contar outros 448 mil m² de pré-locações contratadas para empreendimentos ainda em desenvolvimento.

O movimento tem impulsionado um novo ciclo de investimentos. De acordo com a SiiLA, a receita gerada pelos galpões logísticos no Brasil ultrapassou R$ 7,7 bilhões nos últimos 12 meses, enquanto o aluguel médio nacional rompeu pela primeira vez a marca de R$ 30 por metro quadrado. O mercado passou a priorizar ativos em localizações estratégicas, capazes de reduzir custos operacionais e encurtar o tempo de entrega.

Mais do que acompanhar o crescimento do e-commerce, os galpões logísticos passaram a definir a velocidade da economia. E, nesse mapa, Barueri deixou de ser apenas um polo empresarial para se consolidar como um dos endereços mais cobiçados da logística nacional.

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